Operação Gemini: PF investiga esquema de venda de sentença s em Mato Grosso
Juiz e Deputado como alvos principais
08/06/2026
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta segunda-feira, 8 de junho de 2026, a Operação Gemini, uma ofensiva de grande escala para desmantelar um esquema de corrupção sistêmica que envolvia a comercialização de decisões judiciais, tráfico de influência e lavagem de dinheiro dentro do sistema de justiça do Mato Grosso.
O núcleo do esquema: Juiz e Deputado como alvos principais
A operação focou em personagens que, segundo os investigadores, operavam em conjunto para manipular sentenças em troca de vantagens financeiras. Entre os principais alvos estão:
Dirceu dos Santos: Desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). O magistrado já estava sob o radar das autoridades e havia sido afastado de suas funções pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em março de 2026, justamente por suspeitas de condutas irregulares.
Faissal Calil (PL): Deputado estadual, que possui histórico como servidor do TJMT e, curiosamente, teve atuação direta no gabinete do desembargador Dirceu dos Santos no passado. A investigação aponta que o parlamentar teria utilizado sua influência política para facilitar as negociações ilícitas dentro do tribunal.
Bruno Castro: Identificado pelos investigadores como o principal elo entre as partes, atuando como o intermediário financeiro do esquema.
Os números do escândalo e as evidências
O relatório da Polícia Federal e as auditorias do CNJ revelam um padrão de enriquecimento ilícito agressivo:
Movimentação atípica: A análise das contas do desembargador Dirceu dos Santos revelou que, entre 2021 e 2026, ele movimentou mais de R$ 14,6 milhões. O valor é considerado alarmante pela Receita Federal, uma vez que seus rendimentos oficiais como magistrado no mesmo período não ultrapassaram R$ 1,9 milhão, apontando uma disparidade de mais de sete vezes o que seria legalmente justificável.
A "Mecânica" do Crime: Segundo a denúncia, o esquema utilizava o acesso privilegiado ao sistema judiciário para alterar sentenças de processos de alto valor. O deputado e o magistrado são apontados como peças centrais que garantiam o sucesso das decisões "compradas".
O que dizem os investigados
Em nota oficial e declarações à imprensa, o deputado Faissal Calil (PL) negou categoricamente qualquer participação no esquema. Ele afirmou estar à disposição das autoridades, tendo entregue voluntariamente seu aparelho celular e suas senhas para perícia. O parlamentar justificou que sua relação com o desembargador era restrita ao período em que foi servidor do tribunal e que, após assumir o mandato legislativo, o contato foi encerrado.
Até o momento, a defesa do desembargador Dirceu dos Santos não apresentou um pronunciamento formal sobre os novos desdobramentos da operação deflagrada nesta segunda-feira.
O impacto institucional
A Operação Gemini coloca o Tribunal de Justiça de Mato Grosso no centro de uma crise institucional grave. As investigações buscam agora mapear se outros magistrados e advogados faziam parte da rede, ou se o esquema era circunscrito a este núcleo. A PF continua cumprindo mandados de busca e apreensão em diversos endereços ligados ao juiz e ao deputado, com o objetivo de apreender documentos e dispositivos digitais que possam comprovar a extensão total da venda de sentenças.
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